sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sobre a dança

Eu a vi dançando. Desde aquele dia, nunca mais pensei em outro tipo de dança, em outra pessoa. Eu precisava dançar com ela, salsa, dança do amor, da sedução. Não se consegue "apenas dançar" salsa! Tem que haver desejo, amor, atração. Tem que existir química ou então soa falso, o público não acredita, os juízes não caem. E eu queria ter isso com ela.

Linda e sexy, de pele clara e cabelos escuros, como a noite sem estrelas. A boca vermelha e carnuda, uma maçã madura pedindo para ser mordida e olhos verdes penetrantes, duas pedras de jade, firmes, cheios de força de vontade. Seu corpo de dançarina, lindo e sexy, forte e gracioso, me chamando, pedindo que dançasse com ela. Penso se ela tem consciência do impacto de seus movimentos no público... Penso se ela sabia que eu estava na platéia e que daria tudo para ser seu par.

Comecei a ter aulas de dança, mas como poderia continuar aspirando por ela sabendo que nunca a teria? Eu, um amador, ela, profissional, perfeita, incrível!

Ah, como seu par não lhe faz juz... Ele não a deseja, apenas a "maneja"! Eu faria melhor, tão melhor! Se eu conseguisse chegar até ela, mostrar minha contade, meu desejo...

terça-feira, 25 de maio de 2010

42

42. 42 pedrinhas no chão, 42 tijolos no muro, 42 peixes no aquário, 42 pulgas no cachorro, 42 voltas na chave, 42 escovadas no cabelo.. ou nos dentes.
Shirley era obcecada pelo número 42. Ela leu o Guia do Mochileiro das Galáxias e chegou à conclusão de que aquilo seria a solução de seus problemas! Desde criança, ela tinha problemas, TOC, ADD, DDA, DAD, todas as siglas possíveis e imagináveis, mas 42! Ora, 42 era coisa de gênio, 42 explicava tudo!!
Então, ela passou a fazer tudo... 42. Esse número fazia tudo sumir, as compulsões a falta de atenção. Simples, só precisava fazer tudo 42 vezes. Não 41, nem 43, esses números não funcionavam, apenas 42. Pois 42 é, obviamente, a resposta para a grande pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais!

Pergunta essa que é... Bom, faz diferença? Para Shirley, a pergunta era "como viver normalmente?" e a resposta foi... 42! É claro.

A pergunta muda para cada pessoa, mas a resposta se mantém.
Claro, que Shirley não é uma pessoa normal. Ela faz tudo 42 vezes, ora! Mas para quem faz tudo 42 vezes, ela é normal... Você só tem que achar as pessoas certas - aliás, todas as 41 pessoas do grupo de apoio dela vivem muito felizes.

Não Entre em Pânico!

Bom, venho hoje para fazer um post nada a ver com o meu original propósito do blog... Mas sobre algo que me interessa muito!
Hoje é #towelday ou, traduzindo #diadatoalha.
Para mais informações específicas: www.towelday.org
Mas, explico!

Douglas Adams é um super escritor, cuja série de maior sucesso (não sei se a única, mas é potencialmente a melhor) é a trilogia de cinco livros chamada "O Guia do Mochileiro das Galáxias".
A história é centrada em Arthur Dent, um inglês que se vê arrastado para uma incrível aventura no espaço, com vidas alienígenas que ele nunca imaginara existirem, ainda de pijama e robe. E toalha, é claro.
É aí que chega o nosso dia da toalha. Para homenagear Douglas Adams (que já é falecido), foi instituído o dia da toalha! O que o Guia do Mochileiro das Galáxias diz sobre a toalha:

A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoalvemente limpa.
E como funciona esse dia? Bom, você carrega uma toalha por aí, tira fotos, grava vídeos.. E é isso! A twitosfera Nerd mundial está enlouquecida com as toalhas. Eu? Eu não trouxe minha toalha. Se não tivesse uma reunião, até traria, mas é importante que os clientes e fornecedores pensem que ainda sou sã. Não necessariamente que eu seja.

Como não estou com minha toalha aqui, deixo essa humilde contribuição - celebre o dia da toalha como achar melhor, mas, se ainda não leu o Guia, poxa, leia HOJE! Eu tenho os 5 livros e recomendo (pelo menos os 4 primeiros, são incrivelmente engraçados).

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sobre Vampiros

Este é um trecho que escrevi logo após ler "O Dia do Coringa", o que parece bem óbvio. hehe
Não é linkado à história "Infância"

Andando pela cidade, passando desapercebida pelas pessoas há uma vida invisível, linda, cheia de aventuras, que arrebata qualquer um que a perceba e faz com que essa pessoa nunca mais se esqueça da grandeza do universo.
Enquanto as massas andam, alheias à vida, à grandeza e emoção que é estar vivo e andando neste mundo, há sempre alguém, um curinga, um gato no canil, uma pessoa que compreende a imensidão da vida e do universo, a incrível aventura de estar vivo.


Todos já ouvimos histórias sobre seres que agem enquanto as pessoas dorme. Não falo de morcegos e corujas, mas de vampiros e monstros horríveis que matam e torturam pela diversão de assim o fazer.
O que ninguém sabe é que esses temidos monstros andam entre nós também de dia, sem que ninguém perceba. O que aconteceu foi que, ao longo dos tempos, os vampiros foram ficando mais fortes e mais inteligentes, acumulando conhecimento, tecnologia e poder suficientes para não mais precisar se esconder do Sol.
Os vampiros são verdadeiros curingas na paciência da humanidade, interferindo quando esta parece estagnada: os grande gênios da humanidade receberam ajudar diretas ou indiretas dos vampiros. Há quem afirme que a Mona Lisa era a musa inspiradora de Da Vinci, ou seja, uma vampira, com quem ele conversava e que colaborava com suas idéias. Pálida e enigmática, sorrindo convidativamente a qualquer pobre presa que caia no seu enigma, tal qual inseto na teia de aranha.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Infância - Capítulo 2 - Diferente III

Ele entrou, tropeçando em seus pés e se atirou no sofá, ocupando todo o espaço.

- Sinto muito, eu... Não queria que fosse assim. Digamos que minha saúde não anda tão boa quanto era - apesar de seus olhos continuarem sérios, ele deu uma gargalhada, alta, irônica. - Desculpa, eu sei, não é nada engraçado - ele disse, mas riu novamente, de uma forma estranha, quase maníaca.

- Bom... Ahm... Ook. Quer alguma coisa? Posso lhe ajudar? Algo para beber ou talvez alguma comida? Pode ser pressão baixa, nesse caso sal ajuda. - Eu continuava tentando ser uma boa anfitriã, apesar da situação ficar mais estranha a cada minuto.

- Não se preocupe, o que eu preciso você não vai querer me dar...

- Try me. Fale, o que é? - ele claramente queria aguçar minha curiosidade. E funcionou.

- Bom. Se você insiste... Venha mais perto. - ele se endireitou no sofá e fez sinal com a mão, me olhando diretamente nos olhos. -Não quer que um homem doente tenha que falar gritando, né? - seus olhos pareciam se divertir com a situação, apesar de estar sério, eu tive a nítida impressão de que ele estava reprimindo um sorriso.

Me aproximei, a curiosidade era muito maior que a prudência, minha mente gritava, esperneava, me avisando "Não, não vá, é perigoso, você não o conhece", mas eu decidi: eu precisava saber.

Me aproximei dele, cuidadosamente, ele fez sinal com as mãos, para que chegasse mais perto. Quando notei, estava quase em seu colo, virada de frente para ele, com meu rosto perto do dele, meu ouvido perto de sua boca.

- Você é um delicioso desafio Hannah - ele sussurrou, quase encostando os lábios em minha orelha - Difícil, complicada, tão incomum...
Ele foi baixando os lábios e beijou minha orelha, descendo, vagarosamente, pelo meu rosto. Fechei os olhos, a sensação era muito boa, era como se apenas houvesse eu e ele no mundo, como se estivesse hipnotizada. Ele continuou descendo, beijando meu pescoço, eu sentia o calor do seu hálito, através de seus lábios entreabertos e pensava "por que mesmo eu hesitei?". Foi então que eu senti. Uma dor lancinante, terrível, que parecia atravessar meu corpo, parecia que eu tinha sido perfurada por uma lâmina, mas eu estava imóvel, não conseguia me mexer e notei que o ponto do qual se irradiava a dor era meu pescoço - mais especificamente, os lábios de Jason.
Eu queria gritar, mas não conseguia, eu queria chorar, mas as lágrimas não saíam. Quando, finalmente, ele me soltou, pulei para longe, senti uma tontura horrível, eu estava fraca, algo estava errado! Levei minha mão ao pescoço, meu corpo inteiro ainda latejando de dor e senti algo molhado, quente. Quando olhei para minha mão, notei que eu estava sangrando e Jason, ah Jason, estava em toda sua glória, com uma expressão de um homem que faz a primeira refeição depois de dias sem comer, com os lábios manchados de vermelho, suas presas brancas contrastando com o rubor da sua face.
Foi então que uma palavra vagou na minha mente: "Vampiro" e eu gritei. Gritei e gritei, mas o som não aprecia minha voz.

Foi então que acordei. Gritando, é claro. Imediatamente levei minha mão ao pescoço, que estava intacto. O telefone tocava - esse era o som do meu grito, no sonho.

- Sonho? Não, pesadelo. Pesadelo, é isso o que foi, apenas um sonho ruim. - eu disse para mim mesma, tentando acalmar meu coração que parecia querer saltar do meu corpo.

Levantei e atendi o telefone:

 - Ah, oi mãe. É, eu estava dormindo... Não, imagina! - nesse momento eu ouço um barulho e imadiatamente penso "A janela dos fundos!" - Já te ligo!

Desliguei o telefone e saí correndo, quando cheguei perto dos fundos, vi, claramente, Jason na janela. Meu coração disparou novamente, comecei a suar frio, ele estava com o rosto igual ao meu sonho, os lábios vermelhos, as presas brancas.
Corri para a porta, a adrenalina correndo em meu sangue, abri e saí de casa, procurando por Jason. Ele não estava ali, não estava em lugar nenhum! Eu olhei em volta, procurei entre as árvores, procurei no quintal: ele tinha sumido... Ou será que nunca esteve ali? Eu estaria louca ou ainda sonhando?
Me convenci de que era apenas um galho na janela e que imaginei seu rosto ali, fiquei impressionada por aquele pesadelo, tão vívido e ao mesmo tempo tão surreal.
Fui me arrastando para a cozinha, tomei um leite morno e me joguei na cama, tentando, desta vez, dormir um sono completamente sem sonhos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Infância - Capítulo 2 - Diferente II

Fiquei ali fora, parada, por vários minutos, sentindo o vento, mirando o espaço vazio onde ele estava. Por que, mesmo, eu estava com raiva dele? Por que eu estava incomodada?
Ele era um rapaz tão encantador...
Então uma nuvem encobriu a lua, pisquei diversas vezes e foi como se saísse de um encatamento. Ele não era encantador, era assustador, com seus hábitos metódicos e sua personalidade sombria e extremamente privada, era rude, grosseiro ou, no mínimo, seco. Não havia motivos para que eu ficasse toda deslumbrada!

- Flores... Como se ninguém mais pudesse me trazer FLORES - resmunguei, entrando em casa.

Deixei-as em uma mesinha e me sentei no sofá, cansada, tirei os sapatos.

- Quem ele acha que é? Chegando aqui daquele jeito, achando que vai arrasar? Acha que sou fácil, como essas menininhas bobas que correm atrás dele? Não sou uma de suas groupies! Além disso, ele só complicou a minha vida por não ir na lanchonete... E por que ele não foi mesmo? Ele disse que... Não, ele não disse nada!!

Logo em seguida, acordei com a campainha tocando. Levantei e fui até a porta, olhei pelo "olho mágico". Era ele. Praguejei baixinho.

- O que ELE quer aqui agora? Por que não me deixa em paz?
Compus meu melhor sorriso, arrumei meu cabelo que estava todo amassado e abri a porta:

- Sim?

- Hannah - ele disse, suavemente, fazendo meu nome deslizar de seus lábios, como uma prece - Há centenas de anos que lhe procuro. Não acredito que passei tanto tempo nessa cidade sem notá-la, você parece uma deusa grega, seus cabelos cor de mel, seus olhos verdes, tudo em você me faz suspirar.

Fiquei encarando-o como se nunca tivesse visto um homem na minha vida. Não havia palavras para expressar o que sentia... Uma mistura de "Como é?" com "Que diabos?" e "tá brincando, né?". De repente aquela expressão encantadora dele mudou para dúvida, ele parecia tão confuso quanto eu, parecia que não tinha certeza do que tinha-o levado ali, uma sombra passou por seu rosto e Jason pareceu cansado, muito mais velho do que realmente era e cansado.

- Você... - ele olhou em volta, procurando algum apoio, se escorando no marco da porta - Você se importaria se eu entrasse? Preciso me sentar.

Hesitei. Não queria que ele entrasse em minha casa. Não queria que ele soubesse que morava sozinha, que não me importava muito com o estado da casa ou que não trancava a janela dos fundos. Mas todas essas preocupações passaram quando vi seu rosto: ele parecia doente, velho e desesperado.

- Entre, por favor, sente-se aqui, no sofá - tentei apoiá-lo, para facilitar o caminho até o sofá mas ele recusou. Apesar de tudo, ainda era orgulhoso.