segunda-feira, 3 de maio de 2010

Infância - Capítulo 2 - Diferente II

Fiquei ali fora, parada, por vários minutos, sentindo o vento, mirando o espaço vazio onde ele estava. Por que, mesmo, eu estava com raiva dele? Por que eu estava incomodada?
Ele era um rapaz tão encantador...
Então uma nuvem encobriu a lua, pisquei diversas vezes e foi como se saísse de um encatamento. Ele não era encantador, era assustador, com seus hábitos metódicos e sua personalidade sombria e extremamente privada, era rude, grosseiro ou, no mínimo, seco. Não havia motivos para que eu ficasse toda deslumbrada!

- Flores... Como se ninguém mais pudesse me trazer FLORES - resmunguei, entrando em casa.

Deixei-as em uma mesinha e me sentei no sofá, cansada, tirei os sapatos.

- Quem ele acha que é? Chegando aqui daquele jeito, achando que vai arrasar? Acha que sou fácil, como essas menininhas bobas que correm atrás dele? Não sou uma de suas groupies! Além disso, ele só complicou a minha vida por não ir na lanchonete... E por que ele não foi mesmo? Ele disse que... Não, ele não disse nada!!

Logo em seguida, acordei com a campainha tocando. Levantei e fui até a porta, olhei pelo "olho mágico". Era ele. Praguejei baixinho.

- O que ELE quer aqui agora? Por que não me deixa em paz?
Compus meu melhor sorriso, arrumei meu cabelo que estava todo amassado e abri a porta:

- Sim?

- Hannah - ele disse, suavemente, fazendo meu nome deslizar de seus lábios, como uma prece - Há centenas de anos que lhe procuro. Não acredito que passei tanto tempo nessa cidade sem notá-la, você parece uma deusa grega, seus cabelos cor de mel, seus olhos verdes, tudo em você me faz suspirar.

Fiquei encarando-o como se nunca tivesse visto um homem na minha vida. Não havia palavras para expressar o que sentia... Uma mistura de "Como é?" com "Que diabos?" e "tá brincando, né?". De repente aquela expressão encantadora dele mudou para dúvida, ele parecia tão confuso quanto eu, parecia que não tinha certeza do que tinha-o levado ali, uma sombra passou por seu rosto e Jason pareceu cansado, muito mais velho do que realmente era e cansado.

- Você... - ele olhou em volta, procurando algum apoio, se escorando no marco da porta - Você se importaria se eu entrasse? Preciso me sentar.

Hesitei. Não queria que ele entrasse em minha casa. Não queria que ele soubesse que morava sozinha, que não me importava muito com o estado da casa ou que não trancava a janela dos fundos. Mas todas essas preocupações passaram quando vi seu rosto: ele parecia doente, velho e desesperado.

- Entre, por favor, sente-se aqui, no sofá - tentei apoiá-lo, para facilitar o caminho até o sofá mas ele recusou. Apesar de tudo, ainda era orgulhoso.

2 comentários:

  1. que estranho, me deixou completamente confusa. kkk
    mas ainda assim eu gostei, principalmente da parte da janela dos fundos.rs

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  2. rs rs.
    Opa, confusão é bom hahahaha
    É, sabe, ela é meio neurótica ;)

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